Dedo nas feridas

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Neste espaço desejamos divulgar e compartilhar informações que digam respeito às enfermidades, vasculares ou não, que evoluem com a formação de feridas crônicas cutâneas.

​Muito embora essas informações possam ser úteis aos profissionais de saúde, dentro do possível, tentaremos fazer uso de uma linguagem que possa ser também compreendida pelo público leigo interessado nas abordagens que aqui estaremos desenvolvendo ou comentando.

​Os constantes avanços no tratamento das feridas, bem como a volumosa quantidade de informações sobre as patologias que as geram, requerem do especialista atualização constante.

​De forma que estaremos atentos, dentro de nossas limitações, a tudo o que pode ajudar aos que se dedicam ao tema ou tenham por ele algum interesse.

​​Por suas próprias características, um espaço voltado para qualquer tipo de enfermidade é sempre um espaço em construção.

​Em DEDO NAS FERIDAS não poderia ser diferente. 

​Escolhemos intencionalmente esse nome para o nosso site porque entendemos que cuidar de feridas crônicas significa quase literalmente isto: por o dedo nas feridas.

​Em tempos de pandemia – COVID-19 – o distanciamento social tem se mostrado imperioso e eficaz, o que nos induziu à redução dos atendimentos presenciais. Entretando cuidar de feridas à distância nos impõe intransponíveis limitações. Tratar feridas por fotografia e reuniões virtuais com câmeras e webcams é, penso eu, uma quimera que só pode ser permitida como exceção e em situações extremas. As feridas exalam odores que precisam ser avaliados. As feridas desenvolvem tecidos que precisam ser eliminados. As feridas podem apresentar cavidades que devem ser exploradas. As feridas escondem segredos que precisam ser descobertos. Até porque, regra geral, a ferida não é a doença do paciente, é a forma como algumas enfermidades se manifestam e que precisam ser cuidadas.

A título de exemplo podemos listar algumas situações em que o atendimento presencial é insubstituível:

  • Lesões que exigem desbridamento instrumental
  • Feridas tunelizadas que precisam de compressão e/ou preenchimento
  • Feridas com exsudato excessivo e que precisam ser controlados para evitar danos maiores
  • Infecção significativa
  • Mal odor incapacitante para a vida social
  • e outras situações

​Por isso é fundamental que, mantidos os cuidados protocolares para evitar contaminar ou ser contaminado pelo novo coronavirus ou outros agentes pandêmicos que certamente surgirão, é indispensável o exame presencial do paciente portador de feridas.

Professor Rubens Carlos Mayall

Quero dedicar o meu esforço de construção desse site à memória do Professor Rubens Carlos Mayall, médico angiologista falecido em 29 de junho de 2006, aos 89 anos. Morei, literalmente, no Hospital da Gamboa durante o período de Residência Médica com bolsa da Capes por intermédio da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba. Residia, com outros colegas, num alojamento que ficava ao lado de uma enfermaria para homens portadores de feridas crônicas.

Havia, em outro bloco, uma enfermaria para mulheres com as mesmas características. Devo ter despertado aí para o desafiador universo do enfrentamento das enfermidades que cursam com a formação dessas feridas.

No Hospital da Gamboa esses pacientes encontravam o porto seguro onde encontravam o acolhimento que buscavam.

Na sua maioria eram pessoas pobres e desesperadas. Presenciei situações dramáticas em que o Dr. Rubens Mayall encontrava soluções inimagináveis, numa época em que nem sonhávamos com os recursos de que dispomos hoje.

Minha modesta homenagem ao Doutor Professor Acadêmico Rubens Carlos Mayall

Dr. José Amorim de Andrade

O que dizem e pensam

“É a falsa vergonha dos tolos tentar esconder
feridas que não cicatrizaram.”

Horace (BC 65-8) Poeta lírico romano

“O médico não deve tratar a doença, mas o paciente que sofre com ela.”

Maimonides

“É preciso fazer do paciente o centro de seu plano de cuidados, e não apenas a ferida.”

Anônimo

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